G8 fala em reduzir emissões pela metade até 2050

Julho 9, 2008 by nilva

Em comunicado oficial divulgado no Japão os líderes do Grupo dos Oito “anunciaram nesta terça feira que trabalharão na direção de uma meta de pelo menos reduzir pela metade a emissão global de gases do efeito estufa até 2050“.

Além disso, segundo a notícia, eles também concordaram em estabelecer metas intermediárias anteriores a 2050, mas sem estabelecer números.

Claro! Quanto mais longo o prazo, melhor. E, para aqueles mais próximos, se não há um valor estipulado qualquer pequena mudança é lucro, certo? E cada um continua poluindo como quiser…

O mais interessante, porém, ainda está por vir:

o apelo aos países que participam das negociações sobre mudança climática na Organização das Nações Unidas (ONU) para que também “considerem e adotem” as metas para 2050 satisfez os Estados Unidos, que afirmaram não poder concordar com metas obrigatórias a não ser que grandes poluidores como China e Índia também cortem suas emissões.

Eu já vi essa cena muitas vezes, você não? “Eu só como a salada se Fulano (o irmãozinho) também comer!”, ”Pró, você já deixou Joãozinho ir ‘na licença’ duas vezes, então eu também vou!”, “Eu não vou fazer tarefa nenhuma, não tem ninguém fazendo…” “Tá bom, eu leio, mas manda outro ler primeiro!” - a lista de exemplos poderia continuar indefinidamente.

Mais bonitinho do que isso só a foto deles todos reunidos no recreio, aplicando as noções da aula de Ciências…

Líderes do G8 plantam árvores no Japão

Julho 8, 2008 by nilva

Vi hoje uma foto que me deixou comovida: estavam alinhados os líderes do G8 (os sete países mais industrializados mais a Rússia), cada um com uma pá na mão, plantando uma árvore… Que emocionante! Eles realmente se importam com o meio ambiente!

 Se você observar bem, o quarto da esquerda para a direita (você o reconhece?) está olhando para o colega do seu lado esquerdo, como quem não sabe muito bem o que fazer com aquela pá…

Com suas atitudes cotidianas eles nos incutem a descrença na política (você se lembra, por exemplo, da posição dos Estados Unidos em relação ao Protocolo de Kioto?); mas quando se encontram nessas ocasiões, querem, com meia dúzia de palavras e alguns gestos mal ensaiados, fazer-nos acreditar nas suas boas intenções.

É pra rir ou pra chorar?

A Câmara dos deputados quer entrar na blogosfera

Junho 23, 2008 by nilva

Sugeri, algum tempo atrás, que devemos observar e divulgar o que os deputados estão fazendo, como forma de contribuir para a participação consciente e a construção da cidadania. Afinal, ser cidadão não é só votar, mas acompanhar as atividades dos políticos e cobrar a adoção de medidas para garantir a construção do país que queremos.

Pois bem, seguindo minha própria sugestão, começo a fazer a minha parte. Visitando o site da Câmara dos Deputados, fiquei sabendo que a Comissão de Educação e Cultura daquela casa lançará amanhã, dia 24, o primeiro blog institucional do Congresso.

Segundo o presidente da comissão, deputado João Matos (PMDB-SC), “para garantir a transparência do projeto, foi criado um conselho editorial com representantes de todos os partidos para administrar o blog”.

Essa promete ser uma ferramenta através da qual a sociedade poderá acompanhar as atividades dos parlamentares e sugerir propostas para as duas áreas de interesse da comissão, a saber, educação e cultura.

A partir de amanhã poderemos acessar www.camara.gov.br/blogeducacaocultura para participar dessa novidade.

E vamos ver no que vai dar…

How to blog

Junho 16, 2008 by nilva

How to blog

Como blogar ensinar, escrever, fazer arte:

  1. Maravilhe-se com alguma coisa.
  2. Convide outras pessoas a maravilharem-se com você.

Essa é a minha tradução portuguesa do How to blog, post fantástico de Austin Kleon. Como estou engatinhando na blogosfera, tudo o que se refere a como blogar me interessa.

Specialmente per il mio amico Giuseppe, mi azzardo a tradurlo anche in italiano (che Dante mi perdoni): 

Come blogare, insegnare, scrivere, fare arte:

  1. Meravigliati di qualcosa.
  2. Invita gli altri a meravigliarsi con te.

Foi o Alessandro Martins que me apresentou esse escritor texano.

Frase do dia

Junho 13, 2008 by nilva

A Preocupação olha em volta,

A Tirsteza olha para trás,

A Fé olha para cima.

Uma amiga me mandou esse texto hoje por e-mail. Não consegui encontrar o autor, mas publico igualmente, porque na sua simplicade afirma uma verdade profunda…

Boa sexta-feira 13 pra todos nós!

Ave, Maria Inês!

Junho 3, 2008 by nilva

Vi ontem o e-mail de minha amiga Zenilde que me apresentava a arte de sua cunhada Maria Inês Guimarães, pianista, compositora, musicóloga e pedagoga brasileira que vive na França. Além de tocar os clássicos como Bach, Beethoven e companhia, Maria Inês divulga através de seus concertos a música brasileira popular e clássica. Para conhecer o seu currículo, faça uma visita ao site da artista (escrito em francês, português e inglês).

Quem conhece música pode se beneficiar das partituras de muitas de suas composições.

Eu me deleitei ouvindo uma de suas belíssimas obras de arte, Ronan, uma carícia ao coração.

É mais uma mostra da sensibilidade e do talento brasileiros pelo mundo afora… qualquer dia, talvez, os europeus entenderão que não é só de samba e futebol que se faz o Brasil.

(Nada contra o samba e o futebol que eu adoro, mas detesto os rótulos…)

Diga não à erotização infantil

Maio 28, 2008 by nilva

Não pude ficar indiferente ao apelo do blog Diga não à erotização infantil e estou me juntando à sua campanha. Cada um de nós e todos nós juntos somos responsáveis pelo que acontece às crianças, sejam nossos filhos, sobrinhos, alunos, filhos de amigos ou até mesmo desconhecidos. Sim, é exatamente o que quero dizer: todos temos a nossa parcela de responsabilidade se, sabendo de qualquer tipo de violência que uma criança sofre, ficamos indiferentes e nos limitamos a pensar que essa é uma coisa horrível. É preciso fazer um pouco mais do que isso: é preciso demonstrar a nossa indignação e fazer qualquer coisa de concreto, dentro do nosso campo de ação, para ajudar a reverter esse quadro.

Infelizmente, porém, não é nem unaminidade que a erotização infantil seja “horrível” e que seja uma violência: estou cansada de ver adultos, inclusive pais, que elogiam, acham “tão bonitinho” e estimulam as crianças (sobretudo meninas) que se vestem como adultos em miniatura e executam coreografias pornográficas. Essa, porém, é a meu ver uma violação da integridade psíquica e moral da criança, da sua imagem e da sua identidade (Estatuto da Criança e do Adolescente, art. 17).

Segundo as editoras do blog (recomendo a visita e a divulgação desse trabalho importantíssimo), todos nós podemos fazer alguma coisa:

Basta estar atento e agir. Se você, pai ou educador, se preocupa com o quadro que apresentamos, tem muitas atitudes a tomar.

Divulgue esta campanha; Não permita que seus filhos se vistam como adultos; Não estimule as coreografias por vezes pornográficas que alguns “artistas” apresentam; Não financie a roda da fortuna criada com o lançamento indiscriminado de banalidades e produtos anti-educativos gerados pela mídia com intenção exclusiva de lucro.

Você tem este poder de ação. Todos somos responsáveis pela nova geração que estamos deixando para assumir o mundo. Nossa responsabilidade é tornar nossas crianças adultos felizes, equilibrados, realizados e cidadãos conscientes do seu espaço e dos outros.

A criança e o adolescente têm o direito (logo, nós temos em relação a elas um dever) de serem respeitadas “como pessoas humanas em processo de desenvolvimento” (Estatudo da Criança e do Adolescente, art. 15). Antes de ser uma lei federal, essa é uma obrigação imposta pela nossa consciência.

Sodade, por Cesarea Evora

Maio 28, 2008 by nilva

Veja o vídeo no YouTube

Cá estou eu de novo às voltas com a saudade… “Esse blog está virando um divã de analista…” vocês podem dizer. Eu, porém, afirmo que não estou procurando outra coisa.

Hoje me emocionei ouvindo a maravilhosa Cesarea Evora e a “sodade” já não pesava tanto, passei o resto da manhã cantarolando essa belíssima melodia. Nada mais belo que transformar o sentimento em arte! Até a dor mostra a sua beleza, transfigurada.

Saudade! Nostalgia! Soidade! Sodade!

Maio 27, 2008 by nilva

Estava falando de saudade com uma amiga minha. Ela, com saudade do marido, que veio passar a “bella stagione” na Itália e eu com saudade da minha família, dos meus amigos, colegas de trabalho, ex-alunos, pessoal da comunidade, do meu ambiente de trabalho, das pedras da rua…

Comentei com ela que estava “naturalmente” com saudade e que na minha opinião essa é a palavra que nós brasileiros mais conhecemos; que o resto do mundo não entende nem sente muito isso. Ela depois me mandou um outro e-mail com umas coisas que eu achei tão bonitas que quis compartilhar (claro, com a sua autorização). Principalmente porque quem conhece Anésia não está acostumado a ouvi-la falar assim.

Então, lá vai: pasmem-se ou emocionem-se. Ou todos dois.

“É verdade que só nós brasileiros sabemos o significado dessa palavra ’saudade’. É quase uma exclusividade do vocabulário da língua portuguesa em relação às línguas românicas.

E como é gostoso sentir saudade, pois só assim podemos saber e medir o quanto amamos alguém, ou saboreamos algo; é através desse sentimento tão gostoso que descobrimos quanto o outro é importante na nossa vida.

Uma pesquisa feita entre os tradutores britânicos apontou a palavra ’saudade’ como a sétima palavra de mais difícil tradução. Eu sempre interroguei por que sentimos saudade e por que ficamos alegres quando a matamos, mesmo que no outro dia ela torne a nos matar. Minha sobrinha Carla, de 11 anos, quando tinha cinco definiu saudade como uma dor no coração. (…)

Como diz um autor desconhecido ’Como é bom contemplar o céu, interrogar uma estrela e pensar que ao longe bem longe em outro lugar alguém contempla esse mesmo céu, essa mesma estrela e murmura baixinho ‘que saudade’.

Henrique Maximiliano C. Neto (1864 - 1934) disse: ‘A casa da saudade chama-se memória: é uma cabana pequena a um canto do coração’. Claro que foi um escritor e romancista brasileiro quem disse.

(…)

Os europeus falam nostalgia, nós falamos saudade, em galego existe a mesma palavra saudade por vezes na variante soidade. Em crioulo Cabo-Verde existe a palavra sodade ou sodadi derivada da portuguesa saudade e com o mesmo significado. Mas sentir saudade de verdade só nós brasileiros sabemos. Mesmo porque estamos sempre vivendo de saudade.”

Ah, o título é uma adaptação minha do assunto que ela deu ao e-mail. E eu continuo “vivendo de saudade”…

Todos as estradas nos afastam de Roma

Maio 20, 2008 by nilva

Para quem não conhece Roma, a cidade é circundada por uma auto-estrada tangencial, sem pedágio, chamada de “Grande Raccordo Anulare” (GRA) ou simplesmene “Raccordo”, como dizem os romanos. É um verdadeiro círculo (por isso anular) ao redor da cidade, com várias saídas por todo o percurso, nas quais é possível dirigir-se para o centro da cidade ou para fora do anel. É uma coisa cômoda, se levarmos em consideração que Roma tem um dos trânsitos mais caóticos do mundo e atravessar a cidade de carro é tarefa quase impossível, principalmente em certas horas dos dias feriais.

Dito isso, vamos aos fatos.

Claudio já me disse muitas vezes que gosta muito de dirigir. Talvez por isso (inconscientemente) erre a estrada para ficar mais tempo dentro do carro. Vai-se saber! Quem é que pode afirmar que conhece a tão complicada mente humana? O fato é que já é um clássico: todas as vezes que viajamos de carro, não importa se é uma viagem de centenas de quilômetros ou um giro dentro dos limites do Grande Raccordo Anulare, nós nos perdemos.

Da última vez (na verdade, penúltima, porque antes que eu publicasse o post aconteceu de novo, mas já tinha me decidido a contar esse episódio… risos) tínhamos ido visitar um médico amigo dele que trabalha no leste da cidade (nós moramos no sul). Na volta pra casa, no final da tarde, Claudio pegou uma estrada que nos levaria para o Raccordo a fim de evitar o tráfego do centro da cidade e, quando percebeu, estávamos diante dos guichês de uma auto-estrada que conduzia, naturalmente, para longe de Roma. Então ele diminuiu a velocidade, mas ficou alguns segundos sem saber o que fazer. Nesse meio tempo eu vi a indicação para uma cidade chamada Lunghezza e disse:

- Por que você não sai da estrada, fazendo de conta que vai pra Lunghezza, depois faz o retorno, pega a estrada de novo e volta pra Roma?

E ele, começando a rir:

- É o jeito, lá vou eu pagar a auto-estrada. Eu pago, pago, pago e ela ri, ri, ri…

Porque, verdade seja dita, eu me divirto e rio até as lágrimas nessas situações. Depois fico fazendo piada com a cara dele pelo menos por um mês.

Fizemos como eu tinha dito: ele pagou o pedágio de € 1,10 (sorte dele que era pouco, mas já pensou quanto dá no final de um mês?), saiu da estrada, fez o retorno, pagou de novo o pedágio (e eu rindo) e nós voltamos pra casa.

Durante todo o trajeto fizemos piadas com essa história. Eu disse que até o nome da cidade onde fomos parar era perfeito, afinal pra alongar o caminho quer melhor direção que Lunghezza? E ele me respondeu:

- Claro, senão a cidade deveria se chamar “Cortezza”.

Eu ria mais ainda porque quando começamos o trajeto de volta e vi que ele estava fazendo uma estrada diferente daquela que tínhamos feito na ida, disse pra ele prestar atenção e não errar de novo (eu preciso dizer que ele errou a estrada na ida? Parece mentira, mas não estou inventando nem aumentando nada…). Quando mencionei essa observação que tinha feito, ele disse que tinha se distraído conversando comigo, que estava todo relaxado batendo papo e não viu a indicação para o Raccordo. Mais uma prova de que os homens não conseguem fazer duas coisas ao mesmo tempo, enquanto nós mulheres… mas isso é outra história.

Bem, é por essas e outras que aquele ditado precisa ser mudado ou pelo menos atualizado: ”Todas as estradas levam a Roma”? Pode até ser, desde que não seja com Claudio ao volante.