Quem me conhece pessoalmente, assim como quem acompanhou o nascimento desse blog, sabe que Guimarães Rosa é o meu escritor preferido. E para mostrar que não estou sozinha, cito um depoimento de Sérgio Buarque de Holanda que se encontra na primeira orelha de Ave, Palavra, edição de 1970 (ao transcrever, quis respeitar a grafia de então):
Tenho mêdo de tentar comparações. Não direi, por isso, que a obra de Guimarães Rosa é a maior da literatura brasileira de todos os tempos. Direi porém que nenhuma outra, de nenhum escritor, me deu até hoje, entre brasileiros, a mesma idéia de tratar-se de criação absolutamente genial.
Comecei essa prosa acerca de Rosa só como pré-texto para publicar aqui alguns fragmentos de textos seus que não me canso de reler. Quem também é fã como eu pode aproveitar pra saborear de novo suas palavras e quem ainda não é tem a oportunidade de (re)começar a viajar no mundo rosiano…
- ”Mulheres passadas é que movem amores. Tira o sentido disso, Policarpo. Refresca teu coração. Sofre, sofre, depressa, que é para as alegrias novas poderem vir…” (O grande samba disperso)
- “Tudo se acabou tanto, que nem houve. Foi só um engano.” (idem)
- “Ajuda-te um pouco menos, para Deus poder te ajudar!” (Quemadmodum)
Todos esses fragmentos são de textos de Ave, palavra. Que foi o presente póstumo de Rosa pelo meu nascimento.