Ainda Rosa

By nilva

Cada vez que eu leio o Grande sertão eu descubro uma coisa que me fascina…

Gosto tanto desta reflexão de Riobaldo que não consigo achar nenhum adjetivo adequado para caracterizá-lo.

Refiro ao senhor: um outro doutor, doutor rapaz, que explorava as pedras turmalinas no vale do Arassuaí, discorreu me dizendo que a vida da gente encarna e reencarna, por progresso próprio, mas que Deus não há. Estremeço. Como não ter Deus?! Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar - é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois, no fim dá certo. Mas, se não tem Deus, então, a gente não tem licença de coisa nenhuma! Porque existe dôr.

Quando estava concluindo o curso de Teologia na diocese de Caetité, usei-o como epígrafe do meu trabalho final e foi um sucesso. A pesquisa que fiz foi sobre “A experiência de fé na pós-modernidade”.

2 Respostas para “Ainda Rosa”

  1. Zenilde Disse:

    Oi Nilva,
    Passei pelo seu blog após ter conversado com minha mãe, parece coincidência ou não, mas o trecho do Guimarães Rosa é tudo o que a minha me disse ao fone…Me emocionei! Deus!? Como não acreditar?
    Como sempre suas reflexões são sábias. Beijos

  2. nilva Disse:

    Obrigada, Zenide!
    O verdadeiro mérito, porém, é de Rosa que, na minha opinião apaixonada, é o maior escritor em língua portuguesa de todos os tempos. Alguém pode dizer: “mas isso é presunção, você não conhece todos os escritores da língua portuguesa!” E é verdade; eu também não conheço todas as mães do mundo, mas a minha certamente é a melhor… e todo mundo que eu conheço pensa sente do mesmo jeito – é uma questão de amor.
    Beijos,
    Nilva

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